A dança dos encéfalos acesos Augusto dos Anjos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombam, cedendo à ação de ignotos pesos!
E então que a vaga dos instintos presos
- Mãe de esterilidades e cansaços -
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos
Subitamente a cerebral coréia
Pára. O cosmos sintético da Idéia
Surge. Emoções extraordinárias sinto
Arranco do meu crânio as nebulosas
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!
domingo, 25 de maio de 2008
A Dança da Psique
Momentos de Carlos às 20:48 0 Falaram e eu escutei
Marcadores: Augusto dos Anjos, Poemas
quarta-feira, 12 de março de 2008
PESCANDO PEIXES E PALAVRAS
Eu faço poemas,
como quem tece redes,
enchendo as mãos de calos,
para ajuntar os peixes,
que busca no prodigioso mar.
Há tempos em que há
boa safra e o cândido bando,
salta veloz na sancadilha,
à vista de uma borrasca,
já pressentida no ar.
A busca é sempre nula,
em tantas outras pescarias,
quando o cardume vai pra longe,
expulso pelo mar em calmaria,
sem querer jamais voltar.
Também na época de inércia
é sem sentido qualquer teimosia,
na pesca de ineficazes palavras,
que emurchecem minha poesia,
que não tem com que lutar.
Se a mente está vazia,
indolente, calma, sem cinismo,
todas as palavras desejadas
escondem-se nos meus abismos,
que teimo inutilmente resgatar.
É preciso admirar
um pescador de palavras,
como se admira
um pescador de peixes,
cada qual em seu incoerente mar.
Não os julgue tão depressa,
em suas cruas e frágeis certezas,
que nem mesmo eles sabem
em que porto encontrá-las,
ou quantos dias hão de durar.
Ame- os,
quando tocam a sua alma,
em desvairada emoção.
Odeie-os.
se lhe destroçam o âmago,
sangrando-lhe o coração.
Ignore-os,
se a você pouco falam,
acordando somente a razão.
Pescador e poeta
são seres estranhos,
pois possuem na vida,
uma doce e amarga função:
são pescadores de SONHOS.
Autora: lu dias
Momentos de Carlos às 13:17 1 Falaram e eu escutei